A equipe do projeto Incus, gerenciador moderno de containers do sistema, containers de aplicação e máquinas virtuais, anunciou oficialmente o lançamento da versão 7.0 LTS — a segunda versão de Long Term Support da ferramenta. O novo ciclo de suporte terá duração de cinco anos, com manutenção ativa nos primeiros dois anos e atualizações exclusivamente de segurança nos três anos seguintes — até junho de 2031.
O Incus é um projeto de código aberto sob licença Apache 2.0, mantido pela comunidade dentro da organização Linux Containers. Ele oferece ambiente semelhante ao de nuvem pública, com suporte nativo a imagens pré-construídas, registros OCI (como Docker Hub), clusterização distribuída, APIs REST completas e integrações com ferramentas como Ansible, Terraform/OpenTofu, Kubernetes Cluster API, entre outras.
Segurança reforçada com auditoria independente
A versão 7.0 LTS inclui correções para nove vulnerabilidades de segurança, identificadas durante uma auditoria realizada pela empresa especializada 7asecurity.com. Entre elas:
- CVE-2026-35527 (Moderada)
- CVE-2026-40195 (Moderada)
- CVE-2026-40197 (Moderada)
- CVE-2026-40251 (Moderada)
- CVE-2026-41647 (Moderada)
- CVE-2026-41684 (Moderada)
- CVE-2026-41685 (Moderada)
- CVE-2026-40243 (Baixa)
- CVE-2026-41648 (Baixa)
Essas correções reforçam a confiabilidade do Incus em ambientes produtivos críticos — especialmente em infraestruturas de nuvem privada, edge computing e plataformas de CI/CD.
Mudanças significativas e requisitos atualizados
Como é padrão em novas versões principais, o Incus 7.0 traz mudanças incompatíveis (breaking changes) que exigem atenção na atualização. Os requisitos mínimos de sistema foram elevados para garantir estabilidade, desempenho e suporte a recursos avançados:
- Go 1.25
- Kernel Linux 6.12
- QEMU 8.2
- LXC 6.0.0
- nftables 1.0.0
- dnsmasq 2.90
- Open vSwitch 2.15.0 (para uso com OVS ou OVN)
- OVN 23.03.0 (quando OVN está habilitado)
- ZFS 2.1.0 (para pools ZFS)
- LVM 2.03.11 (para pools LVM)
Além disso, foram removidos suportes legados:
- CGroupV1 (apenas CGroupV2 é suportado)
xtables(iptables,ip6tables,ebtables) — migração obrigatória paranftables
O cliente de linha de comando incus também foi revisado profundamente: sua lógica de parsing foi simplificada, casos especiais foram eliminados e o comportamento dos comandos agora é mais consistente e previsível.
Novidades técnicas e aprimoramentos
✅ Armazenamento S3 nativo (sem MinIO)
O Incus substituiu o MinIO — que deixou de ser mantido — por um serviço S3 embutido, implementado diretamente no código-fonte. Isso elimina dependências externas e reduz complexidade operacional.
Durante a primeira acessibilidade após atualização, os buckets antigos são migrados automaticamente do formato em disco do MinIO para um novo esquema baseado em arquivos simples + metadados separados. A migração é transparente para clientes S3 — apenas um pequeno atraso inicial pode ocorrer.
# Exemplo de uso (API inalterada)
aws s3 ls s3://meu-bucket --endpoint-url https://incus.example.com:8443
✅ Backup incremental via NBD e bitmaps
Uma das maiores inovações da versão 7.0 é a exposição de uma API NBD (Network Block Device) integrada à API REST do Incus. Combinada com controle de dirty bitmaps, essa funcionalidade permite backups eficientes de máquinas virtuais — inclusive incrementais — usando softwares tradicionais como BorgBackup, Restic, Veeam ou Zmanda.
O cliente incus pode configurar um listener NBD local com um único comando:
incus storage volume nbd default virtual-machine/v1 --address=127.0.0.1:1234
NBD listening on 127.0.0.1:1234
Assim, qualquer cliente NBD pode se conectar ao endereço local e realizar leitura/escrita direta no disco da VM.
✅ Restrição de acesso a storage pools por projeto
Agora é possível limitar quais storage pools um projeto pode usar, através da nova configuração restricted.storage-pools.access. Ao invés de uma abordagem de "negar tudo menos X", esse recurso adota uma política de allow-list, aumentando a segurança e a governança em ambientes multi-projeto.
incus project set meu-projeto restricted.storage-pools.access="default,backup"
Documentação completa: Project configuration - Incus documentation
✅ Scriptlets de posicionamento em rebalanceamento de cluster
Com o cluster rebalance ativado, o Incus agora chama o scriptlet de posicionamento de instâncias com um contexto específico: rebalance. Isso permite que administradores personalizem decisões de migração com base na carga atual dos nós — os servidores candidatos são ordenados de menos para mais carregados, facilitando estratégias de otimização de recursos.
Documentação: About clustering - Incus documentation
✅ Comandos incus file alinhados ao cp
Os comandos incus file push e incus file pull agora seguem o comportamento e as opções do utilitário cp, incluindo:
-p,--create-dirs: cria diretórios necessários-L,--dereference: segue symlinks no caminho de origem-H,--follow: segue symlinks passados na linha de comando-P,--no-dereference: nunca segue symlinks-r,--recursive: transferência recursiva
Isso torna a experiência mais intuitiva para usuários experientes em Linux e reduz erros comuns em automações.
✅ Flag --reuse em incus image copy
Ao copiar imagens com incus image copy, a nova flag --reuse — usada junto com --copy-aliases — faz com que a imagem recém-copiada assuma automaticamente os aliases já existentes, evitando conflitos ou necessidade de reconfiguração manual.
Recursos consolidados desde o Incus 6.x
Embora o foco esteja na versão 7.0, diversas funcionalidades introduzidas nas versões 6.x já estão disponíveis e aprimoradas:
🔹 Suporte nativo a imagens OCI
Desde a versão 6.3, é possível lançar containers de aplicação diretamente de registries OCI — como Docker Hub — com todas as configurações avançadas do Incus aplicáveis (limites de recursos, seccomp, apparmor, etc.):
incus remote add docker https://docker.io --protocol=oci
incus launch docker:mysql mysql -c environment.MYSQL_DATABASE=wordpress
🔹 Volumes dependentes
Introduzidos na 6.23, volumes personalizados podem agora estar vinculados diretamente a uma instância — sendo automaticamente incluídos em snapshots, migrações, backups e exclusões em cascata:
incus storage volume create default c1-extra dependent=true
incus config device add c1 extra disk pool=default source=c1-extra dependent=true path=/extra
🔹 Conjuntos de endereços de rede (address sets)
Disponíveis desde a 6.12, permitem agrupar IPs (IPv4 e IPv6) em listas nomeadas, simplificando ACLs de rede:
incus network address-set create cloudflare-dns
incus network address-set add cloudflare-dns 1.1.1.1
incus network address-set add cloudflare-dns 2606:4700:4700::1111
incus network acl rule add my-acl egress destination='$cloudflare-dns'
Documentação: How to use network address sets
🔹 Drivers de armazenamento avançados
- LINSTOR: driver baseado em DRBD para replicação eficiente de blocos entre nós (documentação).
- TrueNAS: integração com servidores TrueNAS via API + iSCSI, permitindo pools remotos com alta disponibilidade (documentação).
- Ceph, clustered LVM, ZFS e outros continuam plenamente suportados.
🔹 Definição de baseline de CPU em grupos de cluster
Desde a 6.4, é possível definir perfis de CPU por grupo de cluster, garantindo compatibilidade em ambientes heterogêneos e viabilizando migrações live entre servidores com diferentes gerações de processadores.
Próximos passos e compatibilidade
O Incus 6.0 LTS entra agora na fase de manutenção de segurança apenas, com suporte total encerrado em junho de 2026. Usuários ainda em versões anteriores devem planejar a atualização para a 7.0 LTS — especialmente aqueles que utilizam recursos como OCI, dependent volumes, ou drivers de armazenamento avançados.
Para testar imediatamente, a equipe disponibiliza um ambiente online gratuito: Linux Containers - Incus - Try it online.
A versão 7.0 LTS marca um marco importante na maturidade do Incus como alternativa robusta, segura e escalável ao LXD — com ênfase em arquiteturas modernas de nuvem, edge e aplicações contêinerizadas.