A próxima grande atualização do Chrome detectará automaticamente qual servidor de exibição Linux deve ser utilizado pelo backend Ozone. Essa mudança visa resolver problemas de interface borrada enfrentados por usuários que utilizam o navegador no Wayland com escala fracionada ativada.
Ozone é a camada de abstração utilizada pelo Chromium (base do Chrome) para tratar gráficos e entrada de dados. Ela define como o navegador se comunica com o servidor gráfico no ambiente desktop Linux, seja X11 ou, mais comumente atualmente, Wayland.
Atualmente, o Chrome e a maioria dos navegadores baseados em Chromium (incluindo Electron) utilizam o Ozone com backend X11 por padrão, mesmo quando executados em Wayland. Por isso, quando a escala fracionada está ativada nesse ambiente, é comum que o Chrome e aplicações similares apresentem uma interface com aparência borrada — isso ocorre devido à interpolação[^1].
Existe uma configuração que permite ao Ozone detectar automaticamente o backend adequado. No entanto, por razões técnicas e de compatibilidade, essa configuração tem sido mantida como padrão no X11 desde sua proposta em 2016 (veja aqui).
Com o passar do tempo, essas razões foram sendo resolvidas ou tornaram-se irrelevantes.
Ao ser definida como auto, a configuração, conforme explicado na documentação do Ozone, utilizará Wayland sempre que possível e recorrerá ao X11 apenas quando necessário.
De acordo com um commit recente, identificado pelo Phoronix, a flag --ozone-platform-hint foi alterada para o valor auto por padrão na futura versão Chrome 140. Isso significa que o próprio Ozone decidirá qual backend utilizar.
Com o uso do Ozone sob Wayland, eventos de entrada do navegador (como cliques do mouse e pressionamentos de tecla) também serão tratados com maior rapidez em relação ao X11, o que resulta em maior responsividade — ainda que essa melhora possa não ser perceptível em todos os contextos.
A versão Chrome 140, com lançamento estável previsto para agosto de 2025, incluirá a configuração --ozone-platform-hint=auto como padrão. Versões noturnas, de desenvolvedor e beta podem já conter essa alteração.
Como ativar a plataforma Ozone
Não é necessário instalar uma versão instável para testar se essa mudança faz diferença. Todas as versões modernas do Chrome (e da maioria dos navegadores baseados em Chromium, como o Vivaldi) incluem essa flag.
Para testar:
- Acesse
chrome://flagsem uma nova aba do navegador; - Procure por
ozone-platform-hint; - Selecione a opção
autono menu suspenso; - Feche o navegador completamente (não apenas reinicie).
Alguns navegadores baseados no Chromium já ativam essa opção por padrão, assim como alguns empacotadores de distribuições Linux. Nesse caso, o benefício já está ativo, mesmo sem o conhecimento do usuário.
Para os demais, vale testar — lembrando que o Google adotou cautela ao ativar a opção “auto” por padrão devido a bugs e incompatibilidades encontradas no passado. Esses problemas foram resolvidos a partir do Chrome 140, mas podem estar presentes em versões anteriores.