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Depois de 19 anos de espera, KDE Plasma 6.7 traz desktops virtuais por tela

Depois de 19 anos de espera, KDE Plasma 6.7 traz desktops virtuais por tela

Após quase duas décadas, o KDE Plasma finalmente implementa desktops virtuais independentes por monitor — só no Wayland, e com suporte nativo a múltiplos displays.

Em 2005, Kjetil Kjernsmo abriu um bug report no KDE enquanto usava a versão 3.3.2 do ambiente em Debian Stable. Sua solicitação era simples, mas tecnicamente desafiadora: permitir que cada tela conectada exibisse um desktop virtual diferente — sem forçar uma troca sincronizada entre todos os monitores.

Ao longo dos anos, mais de 15 relatórios duplicados foram adicionados ao mesmo ticket. A demanda não surpreende: setups multi-monitor se tornaram padrão para desenvolvedores, designers e usuários avançados de Linux.

Por que demorou tanto?

A barreira principal estava na arquitetura X11. Implementar desktops virtuais por tela exigiria violar a especificação EWMH (Extended Window Manager Hints), que pressupõe um único desktop ativo globalmente — não um por saída de vídeo.

Em 2013, Martin Flöser, mantenedor do KWin, confirmou que a funcionalidade era inviável no KDE 4.x sob X11. A única alternativa realista passava pelo Wayland — mas faltava quem assumisse o desafio.

A virada: um desenvolvedor independente entrega a solução

O recurso foi finalmente implementado por Hynek Schlindenbuch, desenvolvedor sem histórico prévio de contribuições ao KDE. Seu merge request foi aceito no ramo master do KWin e fará parte oficial do Plasma 6.7, previsto para lançamento em 2024.

Como funciona na prática

  • Cada saída de vídeo (monitor) agora rastreia independentemente qual desktop virtual está exibindo.
  • Um mesmo desktop pode aparecer em várias telas simultaneamente — ou em nenhuma.
  • Janelas pertencem a uma tela específica, mesmo que visualmente ultrapassem bordas (como em spanned windows), e podem ser atribuídas a um ou mais desktops virtuais.
  • Uma janela permanece visível apenas quando sua tela está mostrando um dos desktops aos quais ela pertence.
  • Atalhos de teclado (ex: Ctrl+F1, Ctrl+F2) alteram apenas o desktop da tela ativa, não de todas as telas de forma conjunta.

Diferentemente de gerenciadores como o Hyprland, essa implementação não muda o foco automático para a tela do desktop selecionado — uma escolha intencional de Hynek para preservar o fluxo de trabalho do usuário.

O VirtualDesktopManager agora mantém o estado do desktop atual separadamente para cada output. A troca simultânea em todas as telas continua sendo o comportamento padrão — mas o modo “por tela” pode ser ativado manualmente nas configurações do sistema.

Exclusivo para Wayland — e isso é intencional

A implementação é 100% restrita ao Wayland. O suporte para X11 foi deliberadamente omitido, pois dependeria de adaptações incompatíveis com a especificação EWMH. Além disso, o KDE já anunciou o fim do suporte a X11 a partir do Plasma 6.8, tornando essa limitação menos crítica do que parecia.

Um caso inspirador de contribuição comunitária

Hynek Schlindenbuch é programador PHP em tempo integral, com mais de seis anos de experiência — mas nenhuma experiência prévia com C++, Qt ou CMake antes desse projeto. Ele instalou o KDE Plasma em um laptop antigo poucos meses antes de começar o desenvolvimento.

Seu objetivo inicial era migrar para o Wayland por causa do suporte nativo a fractional scaling, mas a ausência de desktops por tela o impedia. Em vez de esperar, ele resolveu o problema — e beneficiou toda a comunidade.

Veja como uma iniciativa individual, movida por necessidade real, pode transformar um ecossistema de software livre? 🙃

Via itsfoss.com. Você pode conferir o post original em inglês:

KDE Plasma Gets Per-Screen Virtual Desktops After 19 Years

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