O The Document Foundation (TDF) utilizou um regulamento controverso para revogar a associação de mais de 30 dos mais ativos desenvolvedores da Collabora. A ação incluiu todos os funcionários e parceiros da empresa, resultando na perda de membros que, segundo contagem própria da Collabora, são sete dos dez maiores contribuintes históricos do LibreOffice que ainda participam ativamente do projeto.
Contexto e repercussões
Esta decisão representa a mais recente em uma série de afastamentos. Vários fundadores originais da TDF já deixaram a associação nos últimos anos, e dentre os fundadores ativos remanescentes, três dos quatro últimos se tornaram colaboradores pagos da TDF que não mais escrevem código central.
A Collabora, por sua vez, denuncia decisões de governança que favorecem pessoal não técnico em detrimento de contribuintes experientes. A revivificação de códigos online inativos coloca a TDF em competição direta com o maior contribuinte do próprio projeto.
Além disso, a TDF enfrentou processos judiciais contra antigos membros voluntários do conselho, supostamente financiados por doações, e recebeu reclamações de marcas registradas direcionadas a colaboradores, enquanto outros usam o nome LibreOffice livremente sem repercussão.
Declaração de Michael Meeks
Michael Meeks, CEO da Collabora Productivity e um dos fundadores da TDF, publicou um comunicado no dia 1º de abril. Em seu texto, Meeks detalha planos para lançar um novo produto, o Collabora Office, baseado em uma base mais limpa, com menos código legado e um kit de ferramentas web. O produto Classic continua em suporte, com manutenção prevista a longo prazo.
Sobre a relação futura com o LibreOffice, Meeks afirmou:
“Continuaremos a fazer contribuições ao LibreOffice quando for pertinente (se forem bem-vindos), mas não faz mais muito sentido continuar investindo pesadamente no que resta da comunidade e produto da TDF, enquanto somos excluídos da governança.”
Ele também observou que a situação retornou a um ponto de vista de quinze anos atrás, enquanto a TDF continua a contratar desenvolvedores, vender o LibreOffice e se comportar mais como um coletivo controlado por funcionários do que como um projeto de software livre.
Para os desenvolvedores interessados, a Collabora convida a participar do novo empreendimento, com mais detalhes disponíveis na sua página da comunidade.
Resposta da TDF
A TDF respondeu oficialmente através do Blog da Fundação por Italo Vignoli, um fundador citado pela Collabora como já ter deixado a associação. Vignoli confirmou a ocorrência das remoções e citou os Regulamentos de Comunidade recentemente adotados pela TDF. Esses regulamentos incluem uma cláusula que exige que qualquer pessoa vinculada a uma empresa envolvida em disputa legal ativa com a TDF desista da associação.
A justificativa para a cláusula é evitar situações em que interesses do empregador prevalecem sobre os da fundação. A TDF deixou claro que a revogação de associação não impede a participação no projeto, que permanece aberto a qualquer pessoa, e espera que a Collabora continue contribuindo “quando o momento chegar”.
Em relação às ações da Collabora e à repercussão mais ampla, a TDF enfatizou que tais divisões não são inéditas no mundo FLOSS e que a licença MPL não impede a Collabora de desenvolver o que quiser.