O grub-os-prober é um utilitário integrado ao GRUB 2, o carregador de inicialização padrão da maioria das distribuições Linux. Sua função principal é detectar automaticamente outros sistemas operacionais instalados no mesmo computador, como Windows, macOS (em hardware compatível) ou outras instalações Linux, e adicioná-los ao menu de inicialização do GRUB.
Esse processo é fundamental para ambientes de dual boot ou multi-boot, onde o usuário precisa escolher entre diferentes SOs ao ligar a máquina.
Como o grub-os-prober funciona?
Durante a geração da configuração do GRUB — geralmente executada via comando sudo update-grub (Debian/Ubuntu) ou sudo grub2-mkconfig -o /boot/grub2/grub.cfg (RHEL/Fedora) — o sistema chama internamente o grub-os-prober. Esse script percorre todos os dispositivos de armazenamento conectados (discos rígidos, SSDs, partições USB), verifica sistemas de arquivos suportados e procura por assinaturas de instalações conhecidas.
Por exemplo, ele identifica:
- Partições NTFS com diretórios como
/Windowsou/Boot/BCDpara Windows; - Partições EFI com entradas no diretório
EFI/Microsoft/Boot/; - Outras instalações Linux pela presença de
/boot/vmlinuz-*e/etc/os-release.
A detecção ocorre em tempo de atualização da configuração — não em tempo real durante a inicialização.
Habilitando ou desabilitando o grub-os-prober
Por padrão, o grub-os-prober está ativado em muitas distribuições, mas pode ser controlado via arquivo de configuração /etc/default/grub.

Para desativá-lo, adicione ou edite a linha:
GRUB_DISABLE_OS_PROBER=true
Para ativá-lo explicitamente, garanta que ela esteja ausente ou definida como false:
GRUB_DISABLE_OS_PROBER=false
Após alterações, execute:
sudo update-grub
ou, em sistemas baseados em RHEL/Fedora:
sudo grub2-mkconfig -o /boot/grub2/grub.cfg

⚠️ Em versões recentes do GRUB (a partir do Ubuntu 22.04 e Fedora 36+), o
grub-os-proberfoi desativado por padrão por questões de segurança e privacidade — especialmente em ambientes corporativos ou com partições criptografadas.
Por que desabilitar o grub-os-prober?
Embora útil, o grub-os-prober apresenta alguns riscos potenciais:
- Pode tentar montar partições automaticamente, causando falhas em sistemas com criptografia (ex.: LUKS) ou partições corrompidas;
- Em ambientes virtualizados ou com múltiplos discos, pode gerar entradas duplicadas ou incorretas no menu GRUB;
- Representa uma superfície de ataque mínima ao acessar partições de forma não autorizada.
A documentação oficial do GRUB recomenda desativá-lo quando não for estritamente necessário — especialmente em servidores ou máquinas com configurações personalizadas.
Alternativas seguras para gerenciamento de boot
Para quem precisa de controle refinado sobre entradas do GRUB sem depender do grub-os-prober, existem opções:
- Entradas manuais no
/etc/grub.d/40_custom: permite adicionar manualmente itens de boot commenuentrypersonalizados; - Ferramentas como
efibootmgr: úteis em sistemas UEFI para gerenciar o firmware diretamente; - Soluções alternativas como rEFInd: um gerenciador de boot moderno e visualmente intuitivo, especialmente indicado para sistemas com múltiplos kernels ou dual boot avançado.
Exemplo de entrada personalizada no 40_custom:
menuentry "Windows 10 (UEFI)" {
insmod part_gpt
insmod fat
insmod chain
set root='(hd0,gpt1)'
chainloader /EFI/Microsoft/Boot/bootmgfw.efi
}
Considerações finais para usuários brasileiros
No Brasil, é comum encontrar máquinas com instalações híbridas — especialmente notebooks com Windows pré-instalado e Linux adicionado posteriormente. Nesses casos, o grub-os-prober facilita muito a experiência inicial, mas também exige atenção: atualizações automáticas de kernel ou reinstalações do GRUB podem reativá-lo inadvertidamente.
Recomenda-se sempre testar o comportamento após cada update-grub, verificando se as entradas esperadas aparecem — e se nenhuma entrada indesejada (como partições de recuperação ou mídias removíveis) foi adicionada ao menu.
Para mais detalhes técnicos, consulte a página oficial do projeto GRUB e a documentação completa sobre detecção de SOs.